Não amamentar bebês na primeira hora de vida eleva risco de morte

Mais da metade dos recém-nascidos do mundo não são amamentados na primeira hora de vida, o que aumenta o risco de doenças e até de morte, alertou nesta sexta o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). De acordo com o órgão, a África Sub-Saariana é o lugar onde essa demora para a primeira alimentação do bebê ocorre com mais frequência.
Segundo a Unicef, amamentar os bebês na primeira hora de vida passa nutrientes e anticorpos cruciais, não só por meio do leite materno mas também pelo contato com a pele da mãe. Estudos mostram que quase metade das mortes de crianças abaixo de 5 anos é de recém-nascidos. Atrasar a primeira amamentação para ao longo do primeiro dia aumenta a chance de morte no primeiro mês de vida em 40%. Atrasar por mais de 24 horas aumenta esse risco em 80%, alerta o organismo da ONU.
Em campanha para incentivar a amamentação desde o começo da vida, a Unicef estima que, dos 130 milhões de bebês que nascem por ano, 77 milhões não são amamentados na primeira hora.
“O leite materno é a primeira vacina, a primeira e melhor proteção que os bebês têm contra doenças”, diz France Bégin, conselheira sênior da Unicef para nutrição. Segundo ela, “fazer os bebês esperarem demais pelo primeiro e crítico contato com a mãe fora do útero diminui as chances de sobrevivência, o fluxo de leite e também as chances de que seja amamentado apenas como leite materno”.
Se os bebês fossem alimentados com nada exceto leite materno nos primeiros 6 meses de vida, mais de 800 mil vidas seriam salvas anualmente, diz a Unicef.
Os locais que mais preocupam o órgão são o Oriente Médio, o Norte da África e o Sudeste Asiático, onde médicos, enfermeiras e parteiras geralmente não promovem a amamentação imediata.
Em todo o mundo, 43% dos bebês com menos de 6 meses são alimentados apenas com o leite da mãe. Os que não são amamentados de nenhum jeito tem uma chance de morte 14 vezes maior do que os primeiros, diz a Unicef.