Indicações reais e fictícias para a cesárea

INDICAÇÕES DE CESÁREA ELETIVA – ANTES DO TRABALHO DE PARTO:
  • Placenta prévia: raro e claro
  • Herpes Genital com Lesão Ativa: raro e claro

 

INDICAÇÃO DE CESÁREA DURANTE O TRABALHO DE PARTO:

  • Eclâmpsia: Raro e Claro
  • Prolapso de Cordão: Raro e Claro
  • Descolamento Prematuro da Placenta: Fácil de diagnosticar, raro de ocorrer
  • Bebê em Posição Transversa persistente: raro e clara

 

ALTAMENTE DISCUTÍVEIS E MUITAS VEZES DIAGNOSTICADA DE FORMA ERRADA: 

  • Desproporção Céfalo-Pélvica
  • Parada de Proporção
  • Sofrimento Fetal Agudo

 

NÃO É INDICAÇÃO DE CESÁREA:

  • Circular de cordão (não importa quantas)
  • Trabalho de parto prolongado com mãe e bebê em boas condições
  • Expulsivo prolongado (média de duração dessa fase em primeiro filho: 2h!)
  • Pós-datismo (Após 40/41/42 semanas)
  • Pressão Alta
  • Bacia “muito estreita”
  • Bebê “muito grande”
  • Cesárea anterior
  • Primigesta com mais de 35 anos
  • Primigesta Adolescente
  • HPV, verrugas genitais, miomas, cistos
  • Pouco ou muito líquido amniótico

 

SITUAÇÕES DISCUTÍVEIS:

  • Apresentação pélvica (recomenda-se oferecer versão cefálica externa depois de 36 semanas mas se não for bem sucedida ou não for aceita pela gestante, discutir riscos e benefícios: o parto pélvico só deve ser tentado com equipe experiente e se for essa a decisão da gestante);
  • Duas ou mais cesáreas anteriores (o risco potencial de uma ruptura uterina – variando de 0,5% – 1% – deve ser pesado contra os riscos de se repetir a cesariana, que variam desde lesão vesical até hemorragia, infecção e maior chance de histerectomia); as diretrizes mais recentes não discriminam entre uma ou duas cesáreas para quem quer tentar um VBAC (Vaginal Birth After Cesarean = Parto Vaginal Após Cesárea);
  • hiv/aids (cesariana eletiva indicada se HIV + com contagem de CD4 baixa ou desconhecida e/ou carga viral acima de 1.000 cópias ou desconhecida); em franco trabalho de parto e na presença de ruptura de membranas, individualizar casos.

 

Mais informações:

Indicações de cesárea baseada em evidências parte 1

Porque as cesarianas interessam aos hospitais privados

A verdade é que as taxas de cesariana não se devem exclusivamente a preferências maternas e a conveniência médica. Um dos elos da corrente que mais ganha com a epidemia de cesarianas é o hospital privado por diversas razões, entre elas:
1) Com as cesarianas marcadas é possível maximizar o número de leitos ocupados no pós parto, pois o hospital sabe quem vai internar a cada dia. E o lucro do hospital começa a acontecer quando a ocupação começa a chegar ao máximo. É como um hotel. Já com o parto normal é necessário haver uma porcentagem razoável de leitos desocupados porque nunca se sabe quando os bebês vão nascer. Um dia nasce um e no outro cinco. Também é possível maximizar o uso do centro obstétrico e das salas de “parto”, já que o procedimento é marcado e dura cerca de 1 hora, enquanto que no parto normal é preciso ter um número razoável de salas de parto disponíveis, além de que elas podem ficar ocupadas durante muitas horas seguidas.

2) A cesariana marcada organiza o centro obstétrico. Máximo de ocupação das salas de cirurgia, com uma cesariana atrás da outra, em fila. A enfermagem é mais facilmente gerenciada, sendo alocada para os horários de pico previamente conhecidos (manhã e final do dia). As pacientes chegam uma hora antes e seguem o fluxo da sala de parto, primeiro se trocam, o acompanhante espera do lado de fora, depois anestesia, acompanhante entra, cesárea de uma hora, recuperação e quarto. Tudo previsto, desde a entrada até a alta.

3) A cesariana sustenta a UTI neonatal. Os bebês que nascem com desconforto respiratório pela cesariana marcada vão direto para a UTI, mas é uma ocupação de baixa complexidade. Sustentam as máquinas e a estrutura da UTI sem demandar muito exame, serviço ou especialista. A evolução é previsível e a mão de obra simples.

4) Pacientes de cesariana marcada não dão trabalho. Chegam na hora marcada, não gritam, não demandam atenção especial, não pedem nada de especial. Tudo foi previsto. A mulher que chega para um parto normal já chega fora de hora, em horários inoportunos, fazem barulho, vocalizam, atrapalham a rotina de todos os setores. Elas demandam entrar com outras pessoas, elas demandam alimentação, plano de parto, alívio da dor, presença da doula, partos alternativos e assim por diante. Elas chegam com dilatação total naquela correria terrrível, sem quarto reservado, gritando, fazendo barulho e estardalhaço. Não querem separa do marido, não querem separar da doula, não querem nada do que é rotina. Para o hospital o parto normal e a mulher que entra em trabalho de parto é um estorvo.

5) Médicos de cesariana marcada não dão trabalho. Chegam na hora prevista, sem correria, fazem a cesariana, fazem uma refeição no conforto médico e vão embora. Tudo está pronto para eles e não há mais nada que eles precisem solicitar. Médico de parto normal é um inconveniente. Tem que ser achado de madrugada, chega correndo, larga o carro no meio do estacionamento, pede comida, pede enfermagem, pede material, pede água, pede tudo, não para de dar trabalho. Além disso traz uma equipe igualmente “chata” de enfermeiras obstetras, obstetrizes e doulas, além dos pediatras “alternativos” que demoram horas para autorizar os carimbos e pulseirinhas.

6) Parto normal faz muita sujeira. Suja o chão, suja banheira, suja banqueta. Suja forro, suja camisola, suja lençol. A banheira onde às vezes a mulher ficou 15 minutos para relaxar leva pelo menos 1 hora para ser higienizada. No tempo de limpar a banheira dá para limpar duas salas de cesárea.

7) Cesárea paga melhor. Os planos de saúde remuneram o hospital pelo procedimento. E a cesárea rende mais do que o parto normal.

8) A equipe de anestesistas precisa ganhar a vida. A maioria dos hospitais não tem anestesista contratado. Usa-se empresa terceirizada. E essas empresas terceirizadas de anestesia só são remuneradas por anestesia realizada. Todas as cesáreas têm anestesia com duração de 1 hora. Já os partos normais muitos são sem anestesia, e os que têm, duram horas e horas, e o profissional precisa ficar disponível o tempo todo, ou seja, pelo que se ganha em 5 cesáreas, é o que se ganha num único parto normal de 5 horas de analgesia.

9) Risco jurídico da cesariana é menor, pois a sociedade aceita facilmente as complicações maternas e neonatais como “fatos da vida”. Já no parto normal o risco de um processo no caso de insucesso é muito maior, e no caso dos hospitais, processo = muito dinheiro.

10) Equipe de plantão pode ser reduzida. Se tudo for resolvido com cesariana, a equipe de obstetras plantonistas pode ser reduzida ao mínimo necessário. Se os partos fossem normais, pensando que cada parto pode levar de 5 a 24 horas a partir da internação, a quantidade de obstetras teria que ser aumentada significativamente, o que aumentaria os custos do hospital.

Então quando se fala em reduzir as taxas de cesariana, lembrem-se que um dos elos que mais vai resistir vai ser o elo dos hospitais privados. Porque para eles definitivamente o parto normal é péssimo.

Ana Cristina Duarte

Fonte

50 motivos para evitar uma cesárea desnecessária (revisado pelo Dr. Jorge Kuhn)

Riscos da cesárea:

Para o bebê:

  • Risco de complicações e desconforto respiratório
  • Demora maior para o leite “descer”
  • Maior probabilidade de aspiração com cânulas após o parto (vias aéreas e orais)
  • Risco de morte 10x maior, se for uma cesárea desnecessária
  • Grandes chances de ficar longe da mãe após nascer
  • Maior risco de infecção por aspiração de mecônio
  • Maior dificuldade no aleitamento
  • Maior chance de desmame precoce
  • Lesão na hora da cesárea
  • Maior risco de morte inexplicável no final da gestação seguinte
  • Dificuldades de vínculo com a mãe
  • A mãe pode precisar de analgésicos fortes para aliviar a dor no pós-parto e estes podem passar para o bebê através do leite
  • Maior risco de internação em UTI

Para a mãe:

  • Risco de ruptura uterina aumentada no próximo parto, caso sejam utilizadas ocitocina artificial no soro e/ou anestesia
  • É difícil encontrar um médico que faça partos normais após cesáreas, pois são dependentes das drogas citadas acima
  • Risco de morte 4x maior
  • Risco de infecção hospitalar
  • Pós-parto demorado e dolorido
  • Após a cirurgia: maior desconforto e dor; maior dependência de outras pessoas para cuidar do bebê
  • Dificuldades para engravidar e maior risco de infertilidade posteriormente
  • Maior risco de endometriose
  • Maior risco de hemorragias, transfusões e morbidades provocadas por transfusões
  • Sensibilidade na cicatriz a longo prazo (coceira, dor, sensação de estiramento etc.)
  • Dormência na região entre a cicatriz umbilical e o corte cirúrgico
  • Formação de aderências
  • Aumentam as chances do próximo parto ser cesáreo
  • Lesão no intestino na hora da cesárea
  • Maior risco de trombose e doenças correlatas (incluindo embolia)
  • Maior risco de acidentes com anestesia
  • Risco da anestesia não pegar e ter que fazer uma anestesia geral
  • Maior incidência de Inserção Baixa de Placenta (Placenta Prévia)
  • Maior chance de Acretismo Placentário (a placenta penetra mais profundamente no útero) 33. Histerectomia (perda do útero) devido ao sangramento
  • Maior necessidade de transfusão sangüínea
  • Morte materna devida à hemorragia, conseqüente a inserção baixa de placenta
  • Maior risco de atonia uterina (o útero não contrai adequadamente após o nascimento)
  • Maior risco de embolia pulmonar
  • Maior risco de trombose venosa profunda
  • Numa próxima gravidez você não será mais de baixo risco
  • Risco de reinternação e reoperação por infecção da cicatriz e/ou deiscência de pontos, sangramentos etc., com conseqüente afastamento do bebê
  • Dificuldades de vínculo com o bebê
  • Não realização da plenitude da maternidade
  • Maior risco de depressão pós-parto

Caso a cesárea tenha sido feita antes do trabalho de parto, marcada com antecedência, além dos riscos acima podemos adicionar:

  • Risco maior de prematuridade do bebê
  • Um desrespeito monstruoso e uma tremenda violência à mãe e ao bebê, quanto ao ciclo do processo
  • A perda da oportunidade da primeira descoberta de sua própria força e capacidade de luta 47. A perda da energia que estava sendo guardada para o momento do parto, o que gera frustração
  • A perda da oportunidade de vivenciar uma situação que lhe daria noção de foco, de fazer esforço numa direção e sentido correto
  • Quem convive com essas conseqüências de uma desneCesárea, geralmente aprende as verdades da vida de uma forma muito mais dolorosa e demorada
  • Segundo os astrólogos (para quem curte esse tema), o bebê nasce com uma dualidade na personalidade (situação astrológica natural x situação astrológica forçada)