8 dicas práticas para facilitar o trabalho de parto

E aumentar as chances de um parto normal; hábitos e atividades podem ser decisivos neste momento. Saiba mais!

 

A entrada no terceiro trimestre é um marco na gestação. Os enjoos dos três primeiros meses já são uma lembrança distante (ufa!) e a tranquilidade e a magia do trimestre intermediário perdem espaço para uma barriga bem mais pesada e para os preparativos para o nascimento do bebê. É a hora de entrar em ação para tornar o trabalho de parto o mais tranquilo possível e, se for a vontade da mãe, ir para um parto normal.

Com base em estudos acadêmicos e entrevistas com profissionais especializadas no acompanhamento de gestantes, reunimos as principais dicas para facilitar a chegada do bebê. Enquanto arruma a mala da maternidade e providencia as lembrancinhas, coloque-as em prática!

Ah, um lembrete: nas atividades físicas, o ideal é que a gestante esteja acompanhada, para o caso de sentir tonturas ou precisar de ajuda para levantar ou abaixar!

 

  1. Exercite-se, movimente-se (respeitando os limites do corpo)

Não precisa (e nem tem por que) virar uma triatleta, mas manter o corpo em movimento, com exercícios adequados, é ótimo para uma gestação que leve a um bom trabalho de parto. Yoga e pilates são as atividades campeãs, com muitas aulas para serem acompanhadas pela internet e turmas exclusivas para gestantes em academias.

Fácil e independente, a caminhada é uma atividade recomendada pela doula e educadora perinatal Bianca Puglia Lima, da Livre Maternagem, de Brasília. “É ótima para estimular a dinâmica uterina, melhorar a circulação e a resistência cardiorrespiratória e aumentar a sensação de bem-estar na reta final”, afirma. A assessora materna Drika Cerqueira complementa: “Caminhar ajuda o bebê a encaixar direitinho na pelve”.

 

  1. Coma tâmaras

Gestantes que comem tâmaras diariamente têm menos chances de precisar de medicamentos de progressão ou indução do parto. Esta é a conclusão de um estudo publicado no Periódico de Obstetrícia e Ginecologia dos Estados Unidos, que também mostra que as grávidas chegam com dilatação maior ao hospital e têm trabalhos de parto mais curtos. A nutricionista Melinda Johnson, que participou do estudo, explica que “as tâmaras têm um componente que imita a ocitocina [o hormônio que desencadeia o trabalho de parto] e facilita as contrações”.

 

  1. Fortifique a musculatura do assoalho pélvico

Os nove meses de gestação são um teste de resistência para a musculatura do assoalho pélvico. Ele passa a sustentar, além dos órgãos dessa região, um “novo” útero, com um bebê e anexos embrionários (placenta, líquido amniótico, cordão umbilical etc.). “Estando forte, a musculatura dá maior apoio ao útero e reduz a pressão sobre a bexiga”, afirma Drika. As dores lombares também diminuem e a recuperação no pós-parto é mais rápida.

A principal atividade para o fortalecimento da região é o exercício de kegel. É supersimples e pode ser feito ao longo de toda a gravidez. A dica de Drika é contrair a musculatura imaginando impedir a saída, ao mesmo tempo, de um pum e do fluxo de urina. Faça 20 repetições duas vezes ao dia. Pode ser no trânsito, vendo TV e até no trabalho.

Já Bianca sugere exercícios com a bola suíça (ou bola de pilates): sente-se na bola e balance os quadris lentamente de um lado para o outro. Em seguida, faça movimentos circulares com os quadris. Dez repetições no sentido horário e dez no anti-horário são suficientes por dia.

 

  1. Faça sexo

Transar é uma dica que vale especialmente para a reta final da gestação, naquelas últimas semanas em que a barriga já está pesando uma tonelada. “O sexo pode ajudar a induzir o parto pelo estímulo uterino provocado pelos orgasmos, pela liberação natural de ocitocina e pelo sêmen, que contém prostaglandina e deixa o colo do útero mais maleável para a dilatação”, esclarece Bianca.

 

  1. Durma bem

O último trimestre da gravidez traz um sono louco. Aproveite essa predisposição natural para dormir sempre que possível. O estudo “Sleep Deprived No More: From Pregnancy to Early Motherhood” (Privação de sono nunca mais: da gravidez à maternidade inicial, em português), da ginecologista e obstetra norte-americana Jodi Mindell, indica que mulheres que dormiram menos que seis horas por dia no último mês de gestação tiveram trabalhos de parto mais longos e quatro vezes mais chances de partir para uma cesárea.

Abrace seu travesseiro de corpo e durma sem culpa!

 

  1. Evite açúcar e farinha branca em excesso

A doula e educadora perinatal Lara Maringoni Guimarães conta que a dica mais atual é evitar açúcar e alimentos que contenham farinha branca, especialmente após a 36ª semana de gestação. “Esses alimentos parecem inibir a ação da prostaglandina, o que acarretaria, em tese, em trabalhos de parto mais longos”, diz.

 

  1. Fortaleça as pernas

O parto normal vertical (ou seja, quando a gestante fica em pé) pode ser até uma hora mais curto que o horizontal (na posição deitada). Para conseguir passar por ele sem ficar com todas as dores do mundo na sequência, pernas fortes são essenciais. O especialista em ginástica pré-natal Erin O’Brien, criador do DVD “The Complete Pregnancy Fitness”, ensina a deixá-las em forma com um exercício que pode ser feito em casa. Coloque uma bola média entre sua lombar e uma parede e vá descendo o corpo, distanciando os pés da parede o máximo que conseguir. Quando chegar ao seu limite, pare e faça três séries de 15 agachamentos curtos. Suba lentamente e repita no dia seguinte.

 

  1. Faça uma bela faxina em casa

Além de organizar a casa para receber o bebê, esse esforço físico ajuda no trabalho de parto. “A movimentação de uma faxina pode aumentar a pressão da cabeça do bebê sobre o colo, estimulando a produção de ocitocina”, afirma Bianca.

E a sua casa ficará um brinco!

http://bebe.abril.com.br/parto-e-pos-parto/8-dicas-praticas-para-facilitar-o-trabalho-de-parto/

 

Como acontece o parto?

O início do trabalho de parto é desencadeado pelo amadurecimento de alguns órgãos/sistemas:

  • A pele
  • O sistema imunológico
  • O sistema neuro-muscular
  • E o principal, o sistema respiratório

Fisiologicamente, assim que ocorre a maturidade pulmonar, os pneumocitos tipo II, perdem uma camada que recobre suas células, em forma de tensão superficial. Com isso, sufactante é liberado e reconhecido pelo organismo materno, que entende que o bebê está pronto para nascer, dando início aos processos hormonais que iniciam e fazem parte do trabalho de parto.

A contagem de semanas que fazemos acerca da idade gestacional é apenas uma linha guia para saber em qual fase a gestante está. A espécie humana tem uma grande variação em maturidade, que pode chegar até 5 semanas. Ou seja, um bebê com 40 semanas não necessariamente está maduro, se o seu tempo é de 42 semanas, por exemplo.

Não há como prever a maturidade. Costumo dizer que um bebe de termo, que nasceu sem a mãe entrar em trabalho de parto é um bebe imaturo, justamente por não ter tido o tempo natural de amadurecimento dos seus sistemas.

Uma mulher que entra em trabalho de parto naturalmente a termo, é porque seu bebê está pronto para nascer.

Agora falando sobre as fases do trabalho de parto (TP), existem 4 fases:

1º Os pródromos

2º Fase latente

3º Fase ativa

4º Expulsiva

Os pródromos

É caracterizado por contrações aleatórias, sem ritmo e com intensidade variada.

Ou seja, a contração vem em 10 minutos, depois em 30 minutos, em seguida em 15, sem padrão, hora dolorida, hora média ou fraca.

O pródromo é uma espécie de aviso do trabalho de parto, é o momento onde a pressão da contração faz com que a cabeça do bebe pressione o colo, afinando e preparando este para começar a dilatar.

Nessa fase, a gestante deve avisar a equipe que está prodromando.

É uma fase para relaxamento, para reservar energias, tomar muito líquido, se alimentar bem e dormir, para que haja reserva de energia para quando houver o trabalho de parto.

A fase latente

Nessa fase, os hormônios estão sendo produzidos de forma contínua.

As contrações são ordenadas e com a mesma intensidade moderada.

Quando chega a fase ativa a mulher já sabe que o parto irá acontecer naquele dia ou em breve.

A intensidade moderada das contrações começa a incomodar.

É hora de chamar a doula! Ela quem dará todo suporte físico e emocional, além de aplicar métodos não farmacológicos para alívio da dor, como massagem, compressa e cuidar do ambiente, para que esteja aconchegante e acolhedor.

Quando a fase ativa vai se intensificando, os hormônios aumentam a produção e o primeiro hormônio que era a prostaglandina vai mudando e dando espaço à ocitocina, o hormônio do amor, que potencializa o efeito das contrações. Aqui, vamos caminhando à fase ativa.

A fase ativa

As contrações são ritmadas – 3 em 3 minutos – com maior frequência e intensidade forte.

A mulher percebe realmente que o seu bebê irá nascer.

Ela fala que sente dor, seu comportamento muda, ela fica mais reclusa, já não fala com a mesma frequência, não tem fome ou não consegue comer. Pede para uma outra pessoa falar por ela, o parceiro(a) ou a doula.

Além das massagens, posições e ambiente preparado para o alívio da dor, a parturiente pode entrar no chuveiro ou banheira, o que ajuda a relaxar e minimizar a sensação.

Aqui entra em cena a equipe de parteiras(os) e/ou obstetras, chamados pela doula.

Se o parto é domiciliar, a equipe irá para a casa da parturiente. Se o parto é em hospitalar com equipe de plantão, é hora de ir para o hospital fazer uma avaliação.

Se o parto é hospitalar com equipe particular, uma obstetriz irá até a casa da parturiente avaliar, para que a parturiente não vá muito cedo ou com dilatação total.

A mulher está em fase ativa quando a dilatação é maior do que 5cm.

Entre 7cm e 10cm é onde ocorre a partolândia, não é um termo científico, é como as mulheres chamam essa fase. Há uma mudança no comportamento. Uma conexão interior poderosa.

Ocorrem as vocalizações, uma expressão, libertação.

E com o avanço dessa fase até alcançar os 10cm de dilatação, entramos na fase expulsiva.

O Expulsivo

Após a dilatação total, o bebê começa a descer.

As contrações continuam, mas mudam o padrão.

A sensação é uma mescla de alívio, pressão do bebê descendo e vontade de fazer força.

A concentração da mulher se volta totalmente para o canal de parto.

As vocalizações mudam o padrão de som, é algo interno, é o expulsivo.

É nessa fase que chamamos o pediatra neonatal, que irá assistir a chegada do bebê.

O parto não termina quando o bebê nasce, mas sim após 1h do nascimento da placenta, que é tido como um período de observação pós parto.

Ainda há concentração e contração, e assim que a placenta vem, o parto é concluído.

O tempo que leva o parto natural?

Cada mulher é um indivíduo único, com as suas particularidades, experiências, história e fisiologia, então existe muita variação.

Mas em geral posso dizer que:

  • Os pródromos podem levar vários dias;
  • A fase latente até 24h;
  • A fase ativa até 12h;
  • E a expulsiva até 3h.

Claro que há casos onde o parto leva 3h do início ao fim e outros que podem chegar a 3 dias. Se a mãe e o bebê estão bem e a evolução é boa, então o parto segue tranquilamente.

Há 2 grandes parâmetros para acompanharmos o bebê:

  • Monitorização Intermitente: ouvindo o bebê em intervalos definidos.
  • Cardiotocografia: que pode ser utilizado em intervalos definidos, em um momento específico ou de forma contínua.
  • Partograma
  • Grafico de evolução das fases de parto.
  • É através da frequência cardíaca que identificamos que o bebê está com boa oxigenação.

Sobre a bolsa

A bolsa pode romper em qualquer momento, em qualquer uma das fases de trabalho de parto. Pode inclusive romper fora de trabalho de parto, antes dos pródromos ou o bebê nascer com a bolsa íntegra.

O rompimento da bolsa não caracteriza nenhum estágio do parto, mas por outro lado ajuda a ter mais informações sobre o bebê, pela avaliação da cor do líquido.

Quando o rompimento ocorre, o bebê encaixa mais baixo, forçando o colo e acelerando o trabalho de parto.

A dor

É importante entender que a dor do parto não está ligada à sofrimento.

Muito pelo contrário. Está ligada ao amor. É apenas uma sensação. Se entregar às contrações, aceitando-as de braços abertos, como um abraço, é deixar o corpo trabalhar e se abrir espaço para a chegada do seu bebê.

Não é mais uma contração e sim menos uma, que te deixa mais próxima de conhecer aquele ser tão amado.

O parto é um grande rito de passagem. É a nossa expressão mais humana!

Por: Braulio Zorzella