A linda história da chegada do Arthur – Carla e Raul

Gravidez
 
Minha gravidez fugiu de todos os padrões: não tive enjôos, não inchei, não tive dificuldades para dormir nem no último dia antes do Arthur nascer, não tive alteração no humor, não engordei muito e não fiquei ansiosa nos últimos dias. A única coisa que me incomodou foi azia, que eu tratava com pastilhas e mais pastilhas de magnésia. Eu sempre tive MUITO orgulho da minha barriga de grávida: era só alguém perguntar como estava o bebê que eu já puxava a blusa pra cima e mostrava a barriga, feliz da vida. Tenho um monte de fotos com a barriga de fora e curti cada minuto dos nove meses em que Arthur ficou dentro de mim.
 
Com 37 semanas…
 
…Meus amigos e familiares, tão acostumados com cesáreas agendadas antes da DPP, começavam a me perguntar se eu “ainda” não estava sentindo nada. E sempre completavam dizendo se eu estava “mesmo” segura de ter um parto natural (ou natureba, como muitos diziam). Eu, com a maior paciência do mundo, virei ativista e expliquei para cada um sobre o parto humanizado e natural e todos os seus benefícios. Se uma dessas pessoas mudar seu pensamento em relação ao que é melhor para o bebê, já terá valido a pena as horas que perdi explicando tudo pra todo mundo.
 
Muitos me chamavam de louca e outros tantos de corajosa. E eu sempre respondia: “Corajosa, pra mim, é quem faz cesárea eletiva sabendo que vão cortar sete camadas de pele, sete, SE-TE!!! E pior ainda, quem deixa seu filho ser esfregado, aspirado e arrancado de entro da mãe, no maior susto.”
 
A DPP chegou
 
Dia 20/09 chegou o grande dia….e eu estava super calma, certa de que esperaria meu pequeno chegar quando ele estivesse pronto. Com a equipe que eu tinha escolhido, tinha plena segurança de que o tempo da gestação não seria um problema e que, em último caso, ainda tinha a indução. Eu, que sempre fui ansiosa e agitada, mudei da água para o vinho na gravidez….e com a chegada da DPP continuava assim: sem ansiedade e sem me contaminar pelos vários telefonemas recebidos no dia.
 
Fase Latente
 
Dia 20 fui dormir e logo peguei no sono. Dormi como sempre, feito uma pedra. Acordei dia 21, às 7 horas, com uma cólica leve, idêntica à cólica que eu sentia no comecinho da menstruação na adolescência. Se não fosse a vontade de fazer xixi, eu nem teria acordado, porque a dor era quase imperceptível. Fiz xixi e senti uns pinguinhos a mais caindo na privada. Logo percebi que deveria estar com um furinho na bolsa. Quando limpei o xixi, notei um muco esverdeado no papel. Tirei foto e resolvi dormir mais um pouquinho. Acordei às 9 horas e resolvemos, eu e Raul, o marido PERFEITO que foi meu parceiraço todo o tempo, mandar a foto para a Drika, nossa doula.
 
Ela respondeu falando que poderia ser mecônio e pediu para mandarmos a foto para a Cátia Chuba, nossa obstetra. A foto chegou e a Cátia me ligou pedindo para que fôssemos para o consultório dela, assim ela examinava e poderia ter certeza se era mecônio ou o tampão. Fomos até lá e Raul teve a sábia ideia de colocar as malas da maternidade no carro, para prevenir. Na consulta, ela me examinou e constatou que era realmente mecônio e que eu estava com nada menos do que 5 cm de dilatação. Que felicidade! Na metade do caminho sem dor nenhuma!!! Iupiiiii!!!
 
Por conta do mecônio, não pudemos seguir nosso plano inicial de ficar em casa até uns 7 ou 8 cm de dilatação. Seria necessário monitorar mais o Arthur e, por isso, fomos direto do consultório para o São Luiz. Nota: não teve mais mecônio algum durante todo o resto do trabalho de parto e os batimentos estavam ótimos, do início ao fim.
 
Chegamos lá, passamos pela triagem, fomos para a sala de parto e o tempo foi passando. Eu ria, conversava, tirava fotos fazendo pose….tudo estava bem suportável, apesar de notar que as dores ficavam mais intensas. A cada exame, um centímetro a mais de dilatação.
 
Acho que nada teria sido tão perfeito se Raul não estivesse do meu lado. Ele era uma extensão de mim: para onde eu ia, ele ia comigo. Entrou comigo no chuveiro e molhou toda aquela roupa laranja horrível. Jogava água nas minhas costas, pegava na minha mão, me amparava, me incentivava. Sem ele, eu não teria conseguido. Sem ele, não teria tido a menor graça. Com ele, descobri o que um casamento significa e porque a palavra cumplicidade é tão importante. Com ele, a vida fica muito mais fácil. Com ele, concebi e pari a mistura de nós dois. 
 
Aliviando as dores
 
Para mim, quatro coisas foram essenciais para passar pelas horas de espera até a dilatação total:
 
1 – Água: fiquei umas 2 horas debaixo do chuveiro e mais 1 hora na banheira
2 – Apoio do marido e marido GRUDADO em mim o tempo todo
3 – Andar muuuuuuuuuuuuuuuuuito
4 – Massagens da Drika
 
Com 8 cm…
 
…Aconteceu algo que não estava nos meus planos: comecei a escutar urros e gritos histéricos da parturiente da delivery ao lado. Isso me travou porque achei que algo muito dolorido estava por vir e comecei a ter um princípio de medo. Me concentrei na hora e tentei ignorar os urros…mas isso travou um pouco a dilatação, que estava indo super bem. Acabei ficando algumas horas nos 8 cm, mas aos poucos tudo foi acontecendo.
 
Expulsivo
 
Quando estava com 9,5 cm de dilatação, a Ana Cris, que era a auxiliar da Cátia, fez uma manobra pra tirar o restinho do colo da frente da cabeça do Arthur. Logo depois, ela falou que eu estava com dilatação total e que poderia começar a fazer força….me acomodei na cadeira de parto e, de cócoras, comecei a fazer força. 
 
Eu ainda não estava sentindo os puxos e, por isso, fazia força na raça…nesse momento as contrações estavam bem doloridas. Sentia meu filho descendo aos poucos, mas nada da vontade de fazer força. Como eu estava fazendo força sem sentir os puxos, às vezes eu fazia força na garganta e não no canal de parto…isso me cansava e não adiantava nada. Eis que surge uma ideia que fez tudo mudar: Ana Cris pegou um lençol e fez um U com ele…ela segurou as duas pontas e eu o meio do lençol, fazendo o contra-peso. Quando vinha uma contração, eu fazia toda a força do mundo e puxava o lençol, concentrando a força no lugar certo. Até agora, não sei como ela não caiu, porque eu fazia mesmo muita força.
 
Ana Cris, você nem precisou ir na academia aquele dia! E obrigada pela ideia do lençol, ela fez toda a diferença!
 
Quando comecei a fazer força com a ajuda do lençol, Arthur nasceu em no máximo 40 minutos. E essa foi a fase mais difícil para mim. Eu não pedi anestesia em nenhum momento, eu não reclamei de dor nenhuma vez, eu só caminhava e respirava profundamente a cada contração, pensando que aquela era a primeira prova de amor que daria para meu filho: um parto respeitoso e um começo de vida lindo. Eu, sempre tão forte, chorei e pedi a Deus que Arthur viesse logo para meus braços, porque a dor estava muito forte. Senti tudo se abrir, senti a cabeça dele passando, senti o círculo de fogo e uma queimação que se assemelha a uma dor de pele sendo esfolada. Tudo ao mesmo tempo….durante os minutos que Arthur levou para mostrar a cabeça e o rostinho para o novo mundo. Depois que a cabeça saiu, não senti mais dor. O corpo saiu por inteiro na próxima contração, sem dor nenhuma. E, no fim, fiz todas as forças e pari Arthur sem ter sentido nenhum puxo! Essa fase da “vontade incontrolável de fazer força” não fez parte do meu parto!
 
O tempo todo, Raul falava no meu ouvido que eu estava indo bem, me incentivada e parecia até que fazia força junto comigo. Ele ficou do meu lado durante todo o expulsivo e pariu junto comigo. Companheirismo faz toda a diferença!
 
O maior amor do mundo
 
Eu estava cansada e com todas as emoções do mundo à flor da pele. Mas, nem que eu viva mil anos, vou esquecer do momento em que a Cátia entregou Arthur para mim. Ele não chorou, como eu sonhava (depois de ler o livro Nascer Sorrindo, o fato de ele não chorar seria meu maior presente), olhou fixamente para meus olhos e, quando comecei a falar com ele, ele arregalou ainda mais os olhinhos e segurou com suas mãozinhas meu dedo indicador, com toda a sua força. E assim ficamos, nos olhando, deixando aquele amor intenso invadir meu coração de uma maneira avassaladora. E então, depois de horas de introspecção, dei um sorriso de plena felicidade, que mereceu até palmas de toda a equipe. Do nosso lado, Raul chorava e me beijava, como se me agradecesse por ter trazido o sonho de toda uma vida ao mundo de uma maneira tão sublime.
 
Para sempre
 
Posso dizer que sinto pena de saber que só uma minoria de mulheres tem o privilégio de passar pelo que passei. Fui guerreira sim, sinto um super orgulho de mim e, depois do dia 21 sou uma mulher completamente diferente do que era antes. Sou uma mulher muito melhor. Sou uma mulher segura de mim, uma mulher com M maiúsculo. Depois do dia 21, tudo parece menor. Depois do dia 21, sou a Carla do Arthur. Senti cada segundo de um processo mágico em que um amor enorme e verdadeiro foi materializado em um ser lindo, saudável e feliz! Eu acho, sinceramente, que nenhuma mulher deveria morrer sem sentir tudo o que eu senti. Arthur nasceu às 21h27 e eu, nesse mesmo horário, renasci.
 
Prazer, Arthur
 
Apgar 10/10 com louvor (palavras de Cacá)
Peso – 3380 kg
Comprimento – 51,5 cm

 

Relato de Parto Ludimila – Helena

Dia 22 de novembro de 2012 minha pequena Helena me olhou pela primeira vez… Hoje, 1 ano e 22 dias depois suas mãos gordinhas mexem nos meus cabelos enquanto mama, tem dobrinhas nos braços e perninhas, meu bebezinho delicioso com o mesmo olhar: penetrante, carinhoso, envolvente.

Linda Helena!

 

Minha segunda gestação, meu segundo parto, ambos no mesmo hospital, mesma equipe, misteriosamente no mesmo dia e mesmo mês, porém tudo tão diferente…

Engravidei, meio sem querer, logo depois que escrevi o relato de parto da Cecília. Algo me dizia que estava grávida. Algumas semanas depois: teste de farmácia negativo, exame de sangue negativo, engano meu, não estava grávida… Fui viajar com minha mãe e Ceci e comecei sentir azia, a comida não estava caindo bem, achei que poderia ser o tempero “vou marcar um gastro quando voltar para SP”. Já em SP, um belo dia fui trocar a fralda da Cecília e uma sensação horrível!!! Corri para vomitar – “Ahhhh só posso estar grávida”! US confirmou: um bebezinho lindo de 9 semanas!!!

Receber essa notícia foi uma delícia! Foi tranquilo, suave, sem muita ansiedade. É verdade que a lembrança do parto da Ceci ainda me trazia sentimentos estranhos, um medinho de tudo ser exatamente igual, de não conseguir passar por tudo mais uma vez, mas no fundo eu sabia que tudo seria diferente.

A gravidez foi tranquila e quando me dei conta tinha uma barriga enorme dificultando as brincadeiras com a Cecília =). Esta é outra grande diferença que senti na segunda gravidez: minha vida não parou em função da idéia de ser mãe, afinal, eu já era mãe! Pelo contrário, o filho mais velho nos absorve tanto que às vezes eu me esquecia que estava grávida e, com isso, 40 semanas passaram voando!

A data provável para o nascimento a Helena era dia 17 de novembro, mas o cansaço, o peso, as contrações, tudo me dizia que não chegaria em 38 semanas. Estava muito esgotada no final da gravidez e ao mesmo tempo com muito receio da Helena nascer prematura.

Decidi pelo parto domiciliar com umas 20 semanas. No início o Fábio não estava muito feliz com a escolha, tinha um pouco de receio. Foram muitas conversas em casa, com a nossa GO, com nossa
Enf. Obstétrica e finalmente estava decidido com o apoio do marido! Seria um lindo parto domiciliar!

Preparamos tudo para o parto com direito a uma linda piscina de peixinhos para colocar na varanda (nem preciso dizer que a Cecília amou essa parte!). Não contamos para ninguém para evitar desgaste e desentendimentos, estava decidido por nós, tudo direitinho, equipe fantástica e caso necessário, plano B todo esquematizado. A única pessoa que sabia era minha mãe que não apoiou, mas aceitou nossa decisão.

Como o Fábio estava morando em Piracicaba, no começo de novembro ele conseguiu vir para São Paulo fazer home office – as contrações eram muitas e acreditava que não chegaria nem no final da primeira semana de novembro.

Hoje, analisando minha escolha pelo parto domiciliar, acredito que eu queria fugir de tudo que pudesse me remeter ao parto da Cecília: bolsa rota, hospital, muitas horas de ansiedade e apreensão, ocitocina… Acima de tudo queria a Cecília do nosso lado vendo o nascimento da irmã, não queria me separar dela nesse momento tão importante para nossa família.

Não tenho muitos desejos durante a gravidez, mas um dia estava com vontade de comer pastel!

Minha querida ajudante me falou de um tal de Pastel Sem Vento em Itapecerica, DELICIOSO, super recheado, etc… E Itapecerica vamos nós. Cecília ficou super empolgada para comer pastel, mas acabou dormindo no caminho. Compramos dois pastéis, comemos no carro e fomos passear pela cidade para dar tempo da Ceci acordar para a gente comprar um “pastél sem vento” para ela. Vi uma placa para Embu Guaçu e pensei: uma ótima oportunidade para conhecer os artesanatos de Embu

E fomos… andamos, andamos e quando chegamos percebemos que estávamos no Embu errado!! Não tinha artesanato, não tinha nada!!! Cecília acordou pedindo pastel, compramos um, com vento mesmo (rs), ali no Embu errado porque comecei sentir contrações muito doloridas (vai nascer!) e precisávamos voltar. Nos perdemos muuuuito, eu com muita contração no carro, pensando que poderia engrenar e não dar tempo de chegar em casa. Passamos em frente ao hospital de M Boi Mirim – pelo menos um hospital para Helena nascer (rs). Conseguimos chegar em casa!

Avisei minha querida doula Drika Cerqueira, minha querida Márcia Koiffman, nos preparamos e enchemos a banheira. As contrações pararam…

Depois desse dia acho que avisei a equipe que o trabalho de parto estava começando umas duas vezes, todas com contrações bem fortes, regulares, mas que desapareciam depois de aproximadamente quarenta minutos.

Chegamos na data provável com colo fino, um pouco de dilatação, contrações fortes e passamos da data provável…

Fiz um US com 40s+4dias: médico fez o exame com uma cara estranha, disse que o líquido estava um pouco baixo, duas circulares de cordão, me colocou no cardiotoco e pediu para falar com minha GO.

Peguei os exames e fui conversar com a MK no consultório. O líquido estava muito baixo (ILA 2-3), mais baixo de quando a bolsa da Cecília rompeu. Helena estava bem e ativa. A Márcia explicou que pelo líquido estar tão baixo não estávamos mais trabalhando com o risco “zero” para um parto domiciliar (assumimos que o parto seria domiciliar desde que tudo estivesse redondinho: gestação de baixo risco, eu bem, Helena bem, risco praticamente zero da necessidade de uma transferência hospitalar depois do nascimento). Helena estava ativa, mas como o trabalho de parto não estava engrenando ainda poderia demorar mais alguns dias e nesse tempo o líquido poderia reduzir ainda mais, ela poderia “perder” essa atividade a ponto de não aguentar um parto normal. MEU CHÃO ABRIU!!! Não sei exatamente a cara que fiz quando recebemos essa notícia, mas fiquei em choque.

Márcia fez um descolamento de membranas para ver se o trabalho de parto engrenava sozinho, mas engrenando ou não teríamos que ir no outro dia para o HSL monitorar melhor a Helena. Hospital…e meu sonho de receber Helena em casa???

Saimos do consultório e desmoronei! Abracei meu marido na calçada, em frente a Casa Moara e chorei, chorei, chorei muito! Chorei por medo de ser tudo como o primeiro parto, por medo da ocitocina, por ter que me separar da Cecília para Helena nascer, por não estar na nossa casa com nossa linda piscina de peixinhos…

O descolamento, praticamente indolor graças às mãos de fada da MK, fez efeito e chegamos em casa no fim da tarde com contrações bem fortes. Fui arrumar as malas para o hospital chorando… Hospital…

Para tentar fugir da ocitocina fiz todos os hots: tomei chá de canela com gengibre, namoramos bastante, banho quente, subi e desci 16 andares: eu, Fábio com Ceci nos ombros, Valentina (filha canina) afinal, família unida sobe e desce 16 andares =)

As contrações aumentaram ainda mais. Minha sogra foi dormir em casa com a Ceci. Pela madrugada senti muitas contrações que misteriosamente vinham e sumiam… Consegui dormir muito pouco.

22/11 – aniversário da Cecília! Dia de Santa Cecília!
Chegamos no hospital 6:30 da manhã com 5 cm de dilatação, contrações bem fortes, mas irregulares. Antes das 8:00 já estava no corredor das salas de parto com a possibilidade de escolher entre as duas Deliveries – entrei na sala onde a Cecília nasceu e não me senti bem, escolhi a outra Delivery com banheira menor, mais acolhedora para meu “grande” tamanho.
Dra Andrea chegou às 8:00 e rompeu a bolsa para analisar a cor do líquido – líquido?? Qual líquido? Não tinha mais nada, três gotinhas de sangue e só. Para minha tristeza foi necessário a ocitocina para dar uma mãozinha e regular as contrações.
Como disse a Drika, foi um cheirinho de ocitocina para o bicho pegar! Rápido as contrações que já estavam fortes ficaram constantes, demais até! Uma onda longa e forte de dor atrás da outra, mas dessa vez tudo foi diferente! Lembrei de respirar, me soltei mais… soltei meu corpo, minha voz, meus pensamentos. Me conectei com a Helena e senti cada contração como uma a menos para pegar meu bebê nos braços! Estava com diarréia (natureza sábia, meu próprio organismo fazendo uma limpeza interna), o que me incomodou bastante.
Partolândia! Sem noção de tempo e espaço… Alguém sugeriu que eu entrasse na banheira. Fábio ficou do lado de fora segurando minha mão. Santa hidromassagem!!! Como foi bom!!! Quando a contração vinha o Fábio apertava bem forte o meu quadril, o que aliviava um pouco. Quando ele entrou na banheira comigo, por ela ser pequena, ficamos bem encaixadinhos e foi perfeito!
As contrações ficaram muito, mas muito fortes e não conseguia mais ficar deitada na hidro, estava inquieta.
Levantei. Em pé na banheira, a cada contração me pendurava no pescoço do Fábio (me lembro que uma das vezes o Fábio ficou todo vermelho… muito sangue no pescoço dele. Acho que meu acesso da ocitocina soltou e foi sangue para todo lado, risos). Estava doendo muito, aquela mesma sensação de desespero de “não vou conseguir”, então deitei na hidro de novo e pedi para a Márcia fazer um toque: dilatação total!!!!
Lembro que perguntei para a Drika se eu conseguiria e ela disse: “Ludi, você já conseguiu!”
Aflição… queria sair da hidro, queria fazer cocô e apesar delas falarem que era apenas sensação de fazer cocô, que eu poderia continuar na banheira, eu realmente queria sair da banheira para fazer cocô.  Sai, olhei para o vaso, desisti de chegar até lá. Abaixei, apoiei na cadeira de parto e, de quatro, veio uma vontade louca de fazer força, força de cocô! Uma força, duas forças e que grande surpresa!!!! Senti uma cabecinha saindo!!!! Consegui curtir essa sensação, sem dor, sem círculo de fogo, apenas uma cabecinha… De longe escutei a Márcia pedindo para não fazer força, para esperar um pouco que ela estava desenrolando o cordão do pescoço da Helena. A próxima contração veio com tudo e fiz a maior força do mundo e às 11:19 Helena escorregou para meus braços!!!
Abracei minha pequena e senti o melhor cheiro do mundo: cheiro de recém nascido, cheiro da minha recém nascida!
Abraçados, no chão do banheiro, ficamos eu, Fábio e Helena.
Ainda ligadas pelo cordão, me ajudaram a deitar na cama e ali ficamos babando na nossa pequena que me olhava com seu olhar penetrante, curioso, como que querendo decorar o rosto da voz que ela ouviu por longas 40 semanas. Mamou como se não houvesse amanhã.
Fábio cortou o cordão uns 40 minutos depois, quando ele não pulsava mais. De repente, mais contração: vinha a placenta! Saiu quente e macia depois de duas doloridas contrações. Helena ainda mamando no peito…
Curti cada momento, cada toque, carinho. Queria registrar aquele cheiro de vida para sempre dentro de mim. Ficamos ali “namorando” por longas três horas, quando apareceu uma enfermeira
para pegar minha pequena.
E esse foi meu segundo parto: um parto seco, como disse o pediatra Douglas, rápido (3 horas e 19 min de trabalho de parto) e muito intenso! Quando postamos “Nasceu” no FB, nossos amigos e familiares que já deviam estar esperando nascer em três dias (como foi com a Ceci) nem acreditaram!
Um parto hospitalar, lindo, transformador que deixou um incrível gostinho de quero mais!
Obrigada Fábio Costa, meu amor, meu companheiro, por apoiar todas as minhas escolhas, gestar e parir comigo! Por ficar horas ao meu lado apenas segurando minha mão, me envolvendo nos seus braços, apertando meu quadril a cada contração. Obrigada também por me segurar tão forte todas as vezes que me pendurei no seu pescoço e por me deixar com o braço roxo (risos). Te amo!
Mãe, obrigada por estar sempre presente, por ter cuidado da Ceci quando eu estava no hospital, por ter tirado férias só para me ajudar com as duas em casa, por ter respeitado nossas decisões e por ter me dado o exemplo de força e coragem.

Wilma e Luiz, obrigada por me ajudarem com a Ceci, pelo carinho de sempre, por terem organizado a festinha dela de 2 anos no hospital, por estarem sempre dispostos a nos ajudar!

Márcia Koiffman, Drika Cerqueira, Andréa Campos: foi uma grande alegria tê-las no nascimento das nossas duas filhas!
Tenho um carinho enorme por vocês e só posso agradecer pelo profissionalismo, dedicação e amor que vocês exercem sua profissão.
Douglas: muito obrigada pelo respeito com os bebês e seus pais, paciência e por todas orientações.
Cecília, minha filha, meu amor, obrigada por ter me ensinado a gestar, parir e amar sem fim. Obrigada por ter me ensinado a ser mãe!
Helena, meu amor, minha pequena, obrigada por ter me olhado e me conquistado perdidamente, por ter me escolhido, entre tantas, para cuidar e aprender com você. Por ter me deixado essa doce lembrança do seu parto com cheiro de vida e gosto de quero mais.
Não posso deixar de agradecer diversas mães, maternas emponderadas, por terem dividido comigo suas experiências em lindos relatos e vídeos que me deram força e certeza de que tudo daria certo.

Relato de parto Ludimila – Cecília

Olho para o lado e vejo minha princesa de 14 meses dormindo profundamente. Vejo seu rostinho redondo, seu corpo branquinho, cabelo loirinho, ouço sua respiração, sinto seu suor no meu corpo. Hoje dividimos a mesma cama, há pouco tempo éramos dois corpos ocupando o mesmo lugar no espaço…

Comecei a escrever o relato do nascimento da Cecília ainda na maternidade, no meu celular, mesmo lugar onde guardei a cartinha que escrevi para ela com todo o meu coração um dia antes de ela nascer. Acontece que meu celular apagou todos os dados e eu fiquei com muita raiva por ter perdido tudo e o tempo foi passando. Agora, 14 meses depois do meu nascimento como mãe, pronta fisicamente e emocionalmente para gerar uma outra vida, quero reviver esse momento lindo e transformar minhas lembranças em palavras.

Descobrimos a gravidez pela internet, durante a madrugada, um misto de susto, alegria, medo, felicidade e desespero tomou conta de nós… seremos pais! Primeiros meses e muito enjôo, sono, muitas incertezas. A única certeza era que eu queria parto normal (PN), mas desconhecia as dificuldades que teria que enfrentar para conseguir um.

O GO 1 priorizava a vida da mãe e do bebê e faria uma cesárea se fosse necessário, senti insegurança e troquei de médico. GO 2 e uma parede repleta de fotos de bebês, muito seguro, confiante, conduziu muito bem meu pré-natal. Foi uma conversa pelo msn com minha amiga Kely de C Torres que me abriu os olhos para o verdadeiro mundo do PN. Ela me contou sobre o PN dos seus dois filhos, partos não humanizados que foram normal apenas por ela ter chegado parindo no hospital, falou sobre o GAMA e um grupo de mães. Pesquisei, me informei e mergulhei de cabeça. Descobri que precisamos lutar e nos preparar muito para o PN. Fiz yoga, watsu, massagem perineal, encontrei minha GO.

Decidimos o nome da nossa bebê, um nome delicado e suave para nossos ouvidos, Cecília! Os meses foram passando, barrigão crescendo. Um dia, navegando por um site de significado dos nomes descobri o dia em homenagem à Santa Cecília, dia 22 de novembro – que coincidência! A data provável para o nascimento da Cecília era 19 de novembro…

Sexta-Feira, 19 de novembro – Completei as 40 semanas muito bem, disposta e feliz por não ter entrado em trabalho de parto (TP) enquanto minha médica estava viajando (sim, ela estava chegando, no final da tarde já estaria de volta!). Saí cedo com a minha mãe para ver alguns detalhes para o quarto da Cecília. Na loja senti dor de barriga e um pouco de cólica, mas passou rápido.

Fomos almoçar no Lar Center e passamos a tarde vendo móveis, escolhendo sofás, passeando, de vez em quando eu sentia uma dorzinha leve. Na volta para casa paramos para tomar um sorvete no MC Donalds, noite quente, MC lotado. Conversa vai, conversa vem e de repente arregalo o olho e minha mãe “O que foi filha?” Na hora não entendi o que estava acontecendo, parecia um escape de xixi, mas não era possível, o xixi era interminável… minha bolsa… “A bolsa estourou”!!!

Que alegria! Minha princesa estava chegando! Liguei para meu marido que estava trabalhando: “Amor, está tudo bem, só te liguei para contar que a bolsa estourou”. Ele: “Ah Lu, fala sério!”. Eu: Fá, estou falando mais sério do que nunca, arruma suas coisas e vem para casa”. Ele: “Você está brincando né?” – hello!!!! Claro que eu não estava brincando. Bom, demorou para cair a ficha e ele saiu do trabalho. Não sei como ele conseguiu atravessar a cidade tão rápido numa sexta-feira às sete da noite.

Liguei para minha querida doula, Drika Cerqueira, que me disse que a Dra. Andréa já estava no aeroporto. Estava tudo dando certo! Dra. Andréa em São Paulo, Fábio voltando para casa, apesar da ansiedade eu estava super bem. A Drika pediu para eu descansar, provavelmente o TP engrenaria durante a madrugada.

Voltando ao MC lotado… preciso contar que o chão ficou ensopado, eu fiquei ensopada, a cadeira ficou ensopada a ponto da gerente vir falar comigo, perguntar se eu estava bem, se queria que chamasse uma ambulância, se queria que alguém me levasse ao HU. Um jovem casal estava na mesa ao lado acompanhando a cena inusitada e hilária. O rapaz virou para mim e perguntou se a bolsa tinha estourado de verdade e se eu não devia sair correndo para o hospital. Ficamos lá conversando enquanto minha mãe foi na minha casa pegar uma toalha e uma troca de roupa (sorte que eu morava em frente ao MC), a namorada do rapaz estava grávida e eles estavam interessadíssimos no assunto. Antes a cadeira do MC ensopada do que um sofá caro do Lar Center (risos).

Sai do MC com vários desejos de boa sorte de pessoas que nunca tinha visto, alguns olhares curiosos, muitos sorrisos. Fomos para casa, meu marido chegou e me deu um abraço apertado. Estávamos ansiosos e felizes. Ficamos nós três e minha cachorra, abrimos uma garrafa de vinho, demos risada, pedimos pizza e fomos deitar.

Uma dorzinha de vez em quando e nada demais.O que seria uma contração? Será que era essa dorzinha de nada? Fiquei quietinha na cama tentando dormir e percebi que não estava sentindo nada, nem mesmo a Ceci… porque ela não mexe? Está quieta demais! A sensação era de que minha barriga tinha murchado, como se estivesse à vacuo. Conversei com a querida Márcia Koiffman, falei com a Dra. Andréa e fui para o São Luiz ver se estava tudo bem. Passamos a madrugada no SL, tudo bem com a bebê, líquido baixo, colo do útero alto, contrações fracas e espassadas. Já era de manhã, tomamos café e fomos para casa descansar um pouco. Dormi muito pouco, queria que meu TP engrenasse, mas onde estão minhas contrações?

Sábado, 20 de novembro – Fomos para a casa dos meus sogros. Almoçamos, andei bastante, fiquei na bola, rebolei, à noite marquei uma sessão de acupuntura enquanto meu marido foi na casa da querida MK pegar um remédio natural para auxiliar no TP. Esperaríamos até domingo de manhã.

Acupuntura ok, agora era só tomar o remédio de meia em meia hora durante à noite para acordar com contrações!! Descansei pouco durante a noite, estava muito ansiosa, conversei muito com a Cecília, pedi para Deus nos ajudar e de meia em meia hora tomei o remédio fazendo careta.

Domingo, 21 de novembro – Acordei, nada de dor, chorei muito… Desabafei com meu marido, disse que estava com medo de não conseguir meu PN, medo de ter que fazer cesárea, porque não tinha contração? Porque a bolsa tinha rompido e eu não sentia dor? Fomos para o hospital, líquido baixo, tudo bem com a bebê. Procedimento: internar para iniciar a indução.

Frustrada, entrei no quarto às 17hs e iniciamos a indução com um remédio para preparar o colo do útero, à noite senti algumas contrações. Meu marido do meu lado, dormindo naquele sofá “confortável” e eu resolvi escrever com todo meu coração, todo meu amor, uma carta para minha filha pedindo para ela vir para meus braços, para não ter medo de nada, que tudo daria certo. Depois de escrever, recebi um email carinhoso da Drika com uma oração, a oração à Santa Cecília que li e reli várias vezes antes de adormecer:

“Ó Gloriosa Santa Cecília,
apóstola de caridade,
espelho de pureza e modelo de esposa cristã!
Por aquela fé esclarecida,
com que afrontastes
os enganosos deleites do mundo pagão,
alcançai-nos o amoroso conhecimento
das verdades cristãs,
para que conformemos a nossa vida
com a santa lei de Deus e da sua Igreja.
Revesti-nos de inviolável confiança
na misericórdia de Deus,
pelos merecimentos infinitos
de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Dilatai o nosso coração, para que,
abrasados do amor de Deus,
não nos desviemos jamais
da salvação eterna.
Gloriosa Padroeira nossa,
que os vossos exemplos de fé e de virtude
sejam para todos nós um brado de alerta,
para que estejamos sempre atentos à vontade de Deus,
na prosperidade como nas provações,
no caminho do céu e da salvação eterna.
Assim seja.”

Segunda, dia 22 – Acordei cedo, nada de contração, chorei frustrada. Tomei café da manhã, fui tomar banho e sai pulando e cantando: contração, contração!! Finalmente senti o que era uma contração com direito a ter vontade de rebolar no banho para amenizar a dor! Meu marido ria de mim, eu sorria de orelha a orelha – nunca imaginei que ficaria tão feliz por sentir uma contração de verdade. Ligamos para a Drika e para a MK que foram para o hospital. Márcia me examinou, 3 cm, vamos descer para a Delivery 2!!

Acho que o pessoal do SL nunca tinha visto uma grávida descer tão feliz. Fui sorrindo, com meu marido do meu lado. No corredor da sala de parto ouvi um grito e fiquei sabendo que a moça ao lado estava com 8cm, nossa, em breve seria eu.

Contando um pouquinho sobre minha colega de Delivery: dilatação total e nada do médico dela chegar. O médico tinha se envolvido num acidente (acho que era uma tarde chuvosa) e não chegaria a tempo – fala sério! Como eu estava bem, esperando as contrações ficarem ritmadas, a MK foi ajudar no nascimento do bebê ao lado. E assim veio ao mundo o fofucho do Vinícius da Lilian Freitas.

Bom, esperamos 4 horas e nada de progredir, teríamos que recorrer à ocitocina. Não queria… não queria… tinha medo de não aguentar a dor, de pedir anestesia, de não conseguir. Queria tanto que meu corpo agisse sozinho. Fiquei triste e frustrada, meu marido, Drika e a Márcia me encorajaram e me animaram. Seria bem devagar, só para engrenar o TP… ok, vamos lá.

Uma hora depois e as contrações já estavam fortes e constantes, parei de rir, de conversar, não me lembro de detalhes e provavelmente as coisas não foram exatamente como vou contar. Embarcava naquele momento na Partolândia.

A Drika sugeriu que eu fosse para a banheira, gostei da idéia, sempre pensei que teria a Ceci na água, pensei que quando entrasse seria a anestesia natural e que não sairia mais de lá até o nascimento. Estava completamente enganada. Acho que os bebês que escolhem como e onde querem nascer, não as mamães…

Não sei quanto tempo fiquei lá, talvez 1 hora e meia? Só sei que foram os piores momentos. As contrações eram forte demais, o intervalo entre elas curto demais, sentia calor e pedia água gelada na cabeça, sentia frio e pedia para meu marido ligar o chuveiro quente, sentia falta de ar, não encontrava posição. O Fábio me abraçava, ajudava durante as contrações, mas estava horrível. Os minutos eram intermináveis horas e eu comecei a contar mais uma contração e não menos uma. Estava exausta, queria fechar os olhos e dormir, descansar um pouco, mas era impossível. O pior não era a contração em si, mas a dor de tudo se abrindo, de algo saindo pelo ânus – comecei a me desesperar. A MK fez outro toque e constatou 6cm. Como assim apenas 6 cm? Estava insuportável, frio, calor, falta de ar, meu ânus se abrindo – vai sair pelo lado errado, não é possível.

Comecei a pedir analgesia. Não queria ficar dopada, apenas sentir um alívio, conseguir descansar um pouquinho. Todos conversaram comigo, tentaram me acalmar, fiquei bastante tempo sozinha com meu marido, ficamos lá abraçados na banheira. Pedi para ele me ajudar, achava que estavam me enrolando para não dar anestesia, pedi para ele esquecer tudo que eu já tinha dito sobre parto natural. MK e Drika voltaram e pediram para eu esperar a Dra. Andréa chegar, nesse momento minha vontade foi jogar todos na banheira, um a um, inclusive a Dra que nem estava lá (risos). Cheguei a pensar que se eu tivesse um bisturi abriria minha barriga e tudo seria mais simples. Pensei no porque tinha inventado parto natural, porque tinha me metido com aquelas maternas malucas.

Felizmente, não conheci o anestesista… Na verdade ele foi chamado, porém estava em uma intercorrência (no momento não me disseram qual: a parturiente que ele estava acompanhando teve uma parada cardiorespiratória durante a cesárea). Finalmente a Dra. Andrea chegou e constatou quase 8 cm. Sai da banheira e tudo foi melhorando, acho que diminuiram a ocitocina também.

A Dra. Andrea sugeriu procurar uma posição mais confortável. Tentei a bola, não dava. Tentei a banqueta de cócoras e me encontrei. Precisava de algum lugar para segurar… levantamos a cama o mais alto possível, colocamos a banqueta na frente do pé da cama levantada numa altura que dava para eu segurar num ferrinho que tinha no final da cama. O Fábio sentou na bola atrás de mim me dando apoio nas costas, beijinhos na nuca, carinho e proteção. Dra. Andréa, MK e Drika ficaram sentadas no chão, na minha frente, embaixo da cama – esse foi o cenário de não sei ao certo quanto tempo,duas horas e pouco talvez. Dra. Andréa fez uma manobra bem dolorida para auxiliar e antecipamos a fase de fazer força. Vinha uma contração e eu fazia força, não imaginei que para parir era necessário fazer tanta força. Naquele momento eu já havia esquecido da analgesia, do anestesista, do mundo.

Eu sentia que a contração vinha vindo… respirava fundo, segurava o ar, fazia força durante a contração, descansava e respirava. Não sei quantas inúmeras vezes repeti essa sequência. Naquele momento, ajudar a Cecília a nascer era um desafio e uma força do além me dominou, eu estava focada, numa posição que me favorecia, com o apoio físico do marido nas minhas costas e apoio emocional que precisava. A Drika disse: Ludi, você chegou até aqui, faz 3 dias que sua bolsa estourou, agora a Cecília tem que nascer hoje, no dia da Santa Cecília.”. Verdade!!! Vamos agilizar princesinha da mamãe, depois de tudo que passamos esses dias, duas horas é muito pouco e você vai nascer ainda hoje! E assim foi, expulsivo lento, minha filha descendo pouco a pouco, cóccix gritando, círculo de fogo caprichado, sensação forte de que meu clitóris estava muito, muito esticado, porém eu estava focada: contração, segura o ar, força total, descansa, respira.

A cabeça demorou bastante para sair inteira, foram várias contrações, muita, muita, muita força. Depois o corpinho saiu em uma contração, uma única força e ela veio para meus braços chorando muito, um choro molhado, corpinho escorregadio e muito macio, uma princesinha linda! Aquele acesso no meu braço atrapalhava e parecia estar machucando minha bebê – que vontade de arrancar! Ficamos ali, nós três abraçados, emocionados, curtindo o momento mais sublime e mágico de nossas vidas. Cecília nasceu às 22:29 do dia 22 de novembro de 2010, 3 dias depois que a bolsa estourou, 10 horas e meia de trabalho de parto, 5 horas e meia depois da ocitocina, 3170kg, 48,5cm, apgar 10/10, mamãe sem laceração, extasiada de felicidade, papai chorando copiosamente.

O papai cortou o cordão, pegou a Cecília no colo e levou para a Dra. Sandra examinar. Neste momento senti a Dra. Andréa mais firme: “Ludi, precisamos tirar a placenta, vamos deitar, eu preciso fazer uma manobra para te ajudar”. Mas porque? Tinha lido tantos relatos nos quais a placenta saia suavemente, sem dor ou manobra. Ok, não questionei, afinal tinha sido a primeira vez que percebi uma tensão maior, algo estava acontecendo.

Não foi fácil expelir a placenta. Eu lá deitada, esticando o olho para minha bebê gritando, tentando acompanhar de longe a primeira imersão no balde que o pai e a Dra. Sandra estavam fazendo para acalmá-la um pouco, uma dor absurda com a manobra, mais força, sangue, sangue. Finalmente, saiu! Cecília voltou para o meu colo e ficamos abraçadinhas, ela mais calma, papai do lado fazendo carinho nas suas duas princesas, emocionado, mamãe se sentindo a super mulher “Eu consegui! Conseguimos minha filha! Conseguimos meu amor!”

Senti um pouco de dor para levantar sozinha da cama por uns dias, acho que tive uma pequena fratura no cóccix, por isso a dor durante a transição foi tão intensa – puro achismo da minha parte.

Agradecimentos:
Em primeiro lugar agradeço meu marido, meu companheiro, meu amor, que me apoiou em todas as minhas escolhas, em todos os momentos, não saiu do meu lado para nada – não me lembro nem ao menos de ele ir ao banheiro, risos. Sem sua ajuda, seu carinho, sua companhia eu não teria conseguido. Obrigada por me abraçar na banheira, quando eu chorei e pedi anestesia, me olhar nos olhos e dizer que estava ali comigo e que me amava.

Cecília, minha filha, obrigada por me ensinar a ser mãe. Obrigada por ser um bebê carente de colo, carinho e peito. Obrigada pelo aconchego durante as noites, pelos sorrisos que curam qualquer ferida, por me ensinar todos os dias o amor maior do mundo.

Mãe, obrigada por ter permitido que eu nascesse de parto natural e por ter me ensinado, desde criança, que parir dói, dói muito, mas é a maior e a melhor dor da vida de uma mulher. Nos momentos mais críticos lembrei de você, mulher guerreira e forte.

Lembrei também das mulheres guerreiras da lista, dos vários relatos de parto que li, das tantas histórias com finais felizes. Muito obrigada por compartilharem suas experiências, por me contagiarem e me encorajarem.

Kely querida, obrigada por me abrir os olhos, por me introduzir a este mundo materno maravilhoso, por ter ajudado de forma indireta que eu fosse a personagem principal do meu parto.

Agradeço minha querida doula, Drika Cerqueira, pelos inúmeros filmes, informações, pela companhia intensiva durante os três dias de tensão. Você me orientou, me tranquilizou, me massagiou, me acudiu com várias garrafinhas de água gelada na cabeça (risos), foi a responsável pela trilha sonora do momento mais marcante da minha vida, me deu força e energia junto com aquele melzinho na boca e além de tudo isso foi reponsável por lindas fotos.

Agradeço a querida Márcia Koiffman pelo seu carinho, serenidade, disponibilidade inclusive na madrugada respondendo prontamente. Obrigada por sua sabedoria, simplicidade e delicadeza.

Obrigada Dra. Andréa por chegar no momento que eu mais precisava, por mudar meu foco, me trazer de volta à terra e me fazer esquecer da analgesia, por me deixar à vontade nas minhas escolhas e por ser dura quando foi preciso.

Minha equipe perfeita, todas sentadas embaixo da cama da Delivery 2 do HSL… essa é a imagem que sempre vou carregar de vocês.

Meu marido perfeito, abraçado em mim o tempo todo em pé, na banheira, na bola… te amo meu amor.

Minha Família – 22/11/2010