Manobra de Kristeller

Recentemente vimos a notícia que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo condenou o hospital Santa Catarina e o plano de saúde SulAmérica a indenizar por dano morais uma mãe vítima de violência obstétrica em maio de 2008, por conta de uma manobra de Kristeller feita pelo anestesista durante o parto, a paciente desenvolveu incontinência urinária e fecal e precisou fazer cirurgia para reparar os danos causados.  Veja a reportagem aqui
Em 2014 um hospital público de São Paulo aboliu a prática durante os partos após uma paciente procurar o Ministério Público Federal para relatar as dores que sentiu durante o procedimento. Veja a reportagem aqui:
Veja a manobra:

Até hoje muitas mulheres sofrem esse tipo de violência obstétrica. Afinal o que é essa manobra de Kristeller?
A manobra de Kristeller é uma manobra obstétrica criada pelo ginecologista alemão Samuel Kristeller em 1867. Esta manobra consiste na aplicação de pressão no fundo do útero durante o período expulsivo para adiantar a saída do bebê. É um procedimento rotineiramente usado por obstetras e que podem trazer graves consequências para mãe e bebê.
Muito países proíbem essa manobra além de não ser recomendada pela OMS.
Veja alguns riscos para mãe e bebê:
Para o bebê
  • Aumento da probabilidade de um parto difícil com complicações relacionadas aos ombros do bebê (fratura de clavícula, trauma encefálico, descolamento do músculo esternocleidomastoideo);
  • Paralisia de Erb – consequência de lesão nos nervos do plexo braquial, que controlam os movimentos de ombros, braços e mãos;
  • Fratura de úmero ou de costelas;
  • Hipóxia – sofrimento para o feto com diminuição ou ausência de oxigênio necessário ao feto por meio da placenta;
  • Lesões de órgãos internos;
  • Hematomas;
  • Aumento da pressão intracraniana, cefalohematoma, hemorragias intracraniais (especialmente quando o parto é instrumentalizado).

 

Para a mãe

  • Hemorragias e contusões;
  • Rotura uterina e inversão uterina, que podem provocar hemorragias graves e, em casos extremos, desembocar em extirpação do útero; Ou seja, a mulher pode perde seu útero!
  • Aumento do risco de descolamento do períneo e/ou da vagina em terceiro ou quarto grau;
  • Prolapso urogenital (quando os órgãos genitais internos da mulher – útero, ovários, trompas de Falópio, bexiga e os canais musculares que formam a vagina, o reto e a uretra – se projetam para fora, empurrando as paredes vaginais ou retais;
  • Desprendimento prematuro da placenta;
  • Fratura de costelas;
  • Contusões
A MANOBRA DE KRISTELLER NÃO TEM QUALQUER INDICAÇÃO e é uma Violência Obstétrica que pode e deve ser denunciada, baixe aqui a cartilha com todas as informações para fazer a denuncia sobre essa e outras violências.
Bibliografia: http://www.warmismulheresbolivianas.com.br/blog/manobra-de-kristeller-violencia-no-parto/

Violência Obstétrica

A violência obstétrica ainda é um tema pouco abordado no Brasil, mas muito recorrente, sendo que, segundo informações do Ministério Público de São Paulo, a obstetrícia é MUNDIALMENTE a área médica com maior número de infrações (seja por lesões corporais ou homicídios).
A Defensoria Pública de São Paulo conceitua o fenômeno como “a apropriação do corpo e processos reprodutivos das mulheres por profissionais da saúde, por meio de tratamento desumanizado, abuso de medicalização e patologização dos processos naturais, causando perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seus corpos impactando na sexualidade e negativamente na qualidade de vida das mulheres”.
Situações que podem ser usadas como exemplo são:
a) Negar ou dificultar atendimento à grávida;
b) Deixá-la sem água ou comida;
c) Gritar com ela;
d) Impedir a escolha de forma e de local em que o parto ocorrerá, obrigando-a, por exemplo, a se submeter a uma cesárea ou à episiotomia (corte na vagina), por interesse ou conveniência do profissional da saúde;
e) Proibir a entrada de acompanhante
Como resultado de um tratamento desrespeitoso e frustrante em um momento tão delicado, muitas mulheres chegam a ter reações semelhantes às de vítimas de estupro, passando a rejeitar o próprio corpo, temer relações sexuais, além do pavor de uma nova gestação ou ansiedade por outra na tentativa de substituir as péssimas memórias.
Identificando a ocorrência da violência obstétrica, exija cópia dos prontuários da grávida e do bebê, anote os fatos para não esquecê-los e, após, busque auxílio de um advogado a fim de ter seus direitos respeitados. O hospital, o médico e até mesmo o plano de saúde podem ser responsabilizados.